Qual inteligência artificial devo utilizar na minha empresa?
A melhor inteligência artificial para sua empresa não é necessariamente a mais famosa. Entenda como escolher entre ChatGPT, Gemini, Claude e outras soluções, começando pelos problemas reais do seu negócio.
Por Franklin Saraiva
Qual inteligência artificial devo utilizar na minha empresa?
Antes de escolher entre ChatGPT, Gemini, Claude ou qualquer outra inteligência artificial, existe uma pergunta muito mais importante que todo empresário deveria fazer.
Recentemente, participei de um almoço do Fórum Empresarial, em Sergipe. Dessa vez, não estava lá como palestrante, mas como convidado, acompanhando as discussões e ouvindo as dúvidas de outros empresários.
Em determinado momento, surgiu uma pergunta que tenho escutado com frequência: “Qual inteligência artificial devo utilizar na minha empresa?”
É uma pergunta legítima. Afinal, quase todos os dias aparece uma ferramenta nova prometendo economizar tempo, aumentar a produtividade e transformar a maneira como trabalhamos.
Mas existe algo que sempre procuro explicar: a melhor inteligência artificial não é necessariamente a mais famosa, a mais cara ou a mais avançada. É aquela que resolve um problema real do seu negócio.
O erro de começar pela ferramenta
Imagine um empresário que administra uma loja e percebe que sua equipe demora muito para responder aos clientes pelo WhatsApp.
Ele ouve falar do ChatGPT, contrata uma assinatura e orienta os funcionários a utilizarem inteligência artificial.
Mas será que isso resolve o problema?
Talvez ajude a escrever mensagens melhores. Entretanto, se o verdadeiro problema está na quantidade de atendimentos, na falta de organização das conversas ou na demora para encaminhar solicitações, contratar uma IA de geração de textos não será suficiente.
É como comprar uma ferramenta antes de descobrir qual serviço precisa ser feito.
Na minha experiência com tecnologia e transformação digital, aprendi que o primeiro passo não é perguntar qual sistema devemos comprar, mas entender o que está impedindo a empresa de funcionar melhor.
Com a inteligência artificial, não é diferente.
ChatGPT, Gemini, Claude... Qual é o melhor?
Hoje temos diversas soluções de inteligência artificial disponíveis no mercado. Entre as mais conhecidas estão o ChatGPT, da OpenAI, o Gemini, do Google, e o Claude, da Anthropic.
Todas podem ajudar empresas em atividades como elaboração de textos, análise de informações, organização de ideias e apoio à tomada de decisões.
Mas elas não são exatamente iguais.
O ChatGPT pode ser utilizado para apoiar atividades administrativas, estruturar documentos, analisar dados e desenvolver assistentes personalizados.
O Gemini pode ser interessante para empresas que trabalham intensamente com ferramentas do Google, dependendo das integrações disponíveis no plano contratado.
O Claude também oferece recursos para leitura, análise e elaboração de documentos, podendo ser uma alternativa interessante em atividades que exigem trabalhar com grandes volumes de texto.
Esses são exemplos, não uma classificação definitiva. As funcionalidades, integrações, limites e condições de uso mudam com frequência.
Por isso, não recomendo que um empresário escolha sua IA apenas porque alguém afirmou que determinada ferramenta é a melhor.
O que funciona muito bem para uma empresa pode não ser a melhor escolha para outra.
Então, por onde começar?
Costumo orientar os empresários a fazerem um exercício simples.
Antes de contratar qualquer inteligência artificial, olhe para sua empresa e tente responder a três perguntas:
1. Onde minha equipe perde mais tempo?
Pode ser elaborando propostas, respondendo mensagens, preenchendo planilhas, procurando documentos ou realizando tarefas repetitivas.
2. Quais atividades dependem excessivamente de uma pessoa?
Existem empresas em que somente um funcionário sabe executar determinado procedimento. Quando ele falta, tira férias ou deixa a organização, o processo praticamente para.
A inteligência artificial, associada à organização dos processos, pode ajudar a documentar conhecimentos e facilitar o acesso às informações.
3. Qual resultado eu espero alcançar?
Quero reduzir o tempo de atendimento? Diminuir erros? Produzir propostas mais rapidamente? Melhorar o acompanhamento dos clientes?
Quando o objetivo está claro, fica muito mais fácil avaliar qual tecnologia pode ajudar.
Um exemplo que qualquer empresário consegue entender
Imagine uma empresa em que um funcionário gasta duas horas por dia organizando informações e preparando relatórios.
Se uma solução de inteligência artificial conseguir reduzir essa atividade para trinta minutos, mantendo a qualidade e a conferência humana, teremos uma economia potencial de uma hora e meia por dia.
Considerando vinte e dois dias úteis, são aproximadamente 33 horas de trabalho liberadas por mês.
Isso não significa necessariamente reduzir funcionários ou cortar despesas. Significa que esse profissional poderá dedicar mais tempo a atividades que exigem atenção, relacionamento com clientes e decisões importantes.
E aqui está um ponto que considero essencial: o resultado não deve ser medido apenas pelo que a inteligência artificial consegue produzir, mas pelo que a empresa consegue melhorar com a sua utilização.
Naturalmente, essa economia precisa ser confirmada na prática. Implantar uma ferramenta também exige tempo de aprendizado, revisão e acompanhamento.
Preciso pagar para começar a utilizar inteligência artificial?
Não necessariamente.
Existem ferramentas com versões gratuitas que permitem conhecer as possibilidades da tecnologia e realizar testes iniciais.
Entretanto, utilizar uma versão gratuita para aprender é diferente de adotar uma ferramenta como solução oficial da empresa.
Quando começamos a trabalhar com informações de clientes, documentos internos, dados financeiros ou processos empresariais, precisamos avaliar questões como privacidade, segurança, condições de uso e controle de acesso.
Minha orientação é começar com atividades de baixo risco, sem inserir informações confidenciais, e avaliar os resultados antes de ampliar a utilização.
Também é importante entender que nem toda atividade precisa de inteligência artificial. Em alguns casos, uma planilha organizada, uma melhoria no processo ou uma automação convencional já resolve o problema.
A moral da história
A inteligência artificial está deixando de ser uma novidade para se tornar parte da rotina das empresas.
Mas existe uma diferença enorme entre uma empresa que simplesmente utiliza IA e outra que sabe utilizá-la para gerar resultados.
A primeira experimenta ferramentas. A segunda identifica problemas, estabelece objetivos, prepara as pessoas e mede os resultados.
Por isso, quando um empresário me pergunta qual inteligência artificial deve utilizar, minha primeira preocupação não é indicar um aplicativo.
É entender o negócio.
Porque a transformação não começa quando você contrata uma inteligência artificial. Ela começa quando você descobre o que precisa transformar.
Quer descobrir onde a IA pode gerar resultados na sua empresa?
Por meio do IACELERE, desenvolvo palestras, workshops e soluções práticas de inteligência artificial e automação voltadas à realidade das empresas.
O objetivo é ajudar empresários e equipes a identificar oportunidades, desenvolver competências e aplicar a tecnologia em problemas reais do negócio.
Conheça minhas soluções e descubra como começar a utilizar inteligência artificial com estratégia, segurança e foco em resultados.
Franklin Saraiva
Empresário, palestrante e especialista em Inteligência Artificial, Automação e Transformação Digital. CEO da Dualtech Soluções em Tecnologia e criador do IACELERE.